Brasileira de 38 anos morre por câncer raro associado a implante de silicone; médico alerta para acompanhamento – 20/08/2025
Brasileira de 38 anos morre por câncer raro associado a implante de silicone; médico alerta para acompanhamento
Fonte: g1 > Saúde – Publicado em 20/08/2025
Câncer Raro Associado a Implante de Silicone: Médico Alerta para Acompanhamento
Uma mulher brasileira de 38 anos morreu devido a um tipo raro de câncer ligado ao uso de próteses de silicone. O caso, tratado no Hospital de Amor em Barretos (SP), foi descrito em um artigo publicado na revista Annals of Surgical Oncology e representa o primeiro registro brasileiro de carcinoma espinocelular associado a implantes mamários (BIA-SCC).
O Caso
A paciente colocou as próteses aos 20 anos e, quase duas décadas depois, percebeu alterações na mama esquerda, como inchaço e acúmulo de líquido. Exames de imagem indicaram a necessidade de retirada do implante, mas a biópsia revelou a presença de células malignas na membrana que envolve a prótese. Apesar da cirurgia e do início da quimioterapia, o tumor voltou pouco depois e se espalhou para o fígado e outros órgãos. Ela morreu em oito meses.
O que é a Cápsula da Prótese?
A cápsula é um tecido fibroso criado naturalmente pelo corpo sempre que um implante de silicone é inserido. Funciona como uma película de proteção que envolve a prótese. Na imensa maioria das mulheres, essa estrutura não gera problemas. No entanto, em casos excepcionais, um processo inflamatório crônico na cápsula pode levar a alterações celulares capazes de originar o tumor.
Dados Científicos e Estudos Recentes
Apenas 17 casos semelhantes foram documentados no mundo desde 1992.
O BIA-SCC é uma condição raríssima, sem relação com um tipo específico de silicone, cobertura ou técnica cirúrgica.
Um estudo publicado na revista Annals of Surgical Oncology propôs um novo protocolo cirúrgico e de estadiamento para o BIA-SCC.
Acompanhamento e Prevenção
O mastologista Idam de Oliveira Junior alerta para a importância do acompanhamento médico contínuo, mesmo após muitos anos da cirurgia. O Follow-up Guidelines Advisory (FGA) recomenda acompanhamento via ultrassom a partir do quinto ano após a cirurgia para implantação de próteses de silicone, seguido de exames a cada dois anos. Sinais que merecem investigação incluem:
Aumento anormal da mama
Vermelhidão persistente
Formação de nódulos
Presença de líquido ao redor da prótese nos exames de imagem
Proposta de Novo Tratamento
A análise de 17 casos descritos na literatura mostrou que a doença tem alta taxa de recorrência local, muitas vezes associada a cirurgias incompletas ou à contaminação de células durante o procedimento. A recomendação dos especialistas é que a primeira cirurgia já seja realizada de forma mais ampla, com a retirada em bloco da prótese e da cápsula, garantindo margem livre de tumor.
Esta iniciativa e realização é do especialista em Saúde Mental, Rafael Haddad.
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