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Edição genética da Síndrome de Down levanta questões controversas sobre eugenia e ética – 20/08/2025

Edição genética da Síndrome de Down levanta questões controversas sobre eugenia e ética

Fonte: g1 > Saúde – Publicado em 20/08/2025

Edição Genética da Síndrome de Down: Questões Éticas e Eugenia

A edição genética, especialmente com o método CRISPR-Cas9, tem levantado questões éticas e temores relativos à eugenia. Recentemente, um cientista japonês afirmou ter conseguido remover o cromossomo 21 extra responsável pela Síndrome de Down, permitindo que as células funcionem normalmente. Embora isso não signifique a cura da Síndrome de Down, indica um futuro em que ela possa ser erradicada.

O "Aborto da Pessoa"

A possibilidade de eliminar geneticamente a Síndrome de Down levanta uma questão ética crucial: o "aborto da pessoa". Se é possível editar geneticamente um embrião para eliminar a Síndrome de Down, permitindo que a família gere um bebê "normal", isso significa que o bebê original foi substituído por outro? A questão é: o bebê que nasceu é o mesmo que foi concebido ou um novo indivíduo substituiu o anterior?

A Controvérsia

Para o filósofo Derek Parfit, a continuidade psicológica é o que garante que somos a mesma pessoa ao longo do tempo. No entanto, se as memórias e experiências que nos constituem são idênticas, mas o corpo é alterado, é possível que a pessoa resultante seja diferente. A edição genética não seria diferente do teletransporte, pois substitui o material original por outro, destruindo a pessoa no processo.

Eugenia e a Morte do Indivíduo

A edição genética de fetos com Síndrome de Down pode ser interpretada não como o aborto da vida, mas como o aborto eugênico da pessoa. A pessoa que seria foi substituída por outra qualitativamente diferente. Em países europeus, a taxa de abortos de bebês com Síndrome de Down está entre 55% a 90%. Nos Estados Unidos, chega a cerca de 67%. Já no Brasil, não há estimativas oficiais.

Dados Científicos e Estudos Recentes

Um estudo publicado em fevereiro passado pelo cientista japonês Ryotaro Hashizume afirmou ter conseguido remover o cromossomo 21 extra responsável pela Síndrome de Down.

A edição genética de fetos com trissomia 21 é uma alternativa ao aborto provocado, mas ainda constitui uma forma de eliminação – senão da vida biológica, da pessoa em potencial.

Implicações Éticas

A edição genética de fetos com Síndrome de Down levanta questões éticas sobre eugenia e a morte do indivíduo.

A possibilidade de eliminar geneticamente a Síndrome de Down pode ser interpretada como uma forma de eugenia sutil, ou "sem culpa".

Conclusão

A edição genética da Síndrome de Down é um tema complexo e controverso que levanta questões éticas e temores relativos à eugenia. É importante refletir sobre as implicações éticas e científicas dessa tecnologia e considerar as possíveis consequências para a sociedade e para as pessoas com Síndrome de Down.

Leia o artigo completo






Esta iniciativa e realização é do especialista em Saúde Mental, Rafael Haddad.
Acesse: https://bit.ly/30QtHZL

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