Edição genética da Síndrome de Down levanta questões controversas sobre eugenia e ética – 19/08/2025
Edição genética da Síndrome de Down levanta questões controversas sobre eugenia e ética
Fonte: g1 > Saúde – Publicado em 19/08/2025
Edição Genética da Síndrome de Down: Questões Éticas e Eugenia
A edição genética, especialmente com o método CRISPR-Cas9, tem avançado rapidamente nos últimos anos, levantando questões éticas e temores relativos à eugenia. Recentemente, um cientista japonês, Ryotaro Hashizume, apresentou um artigo sobre o uso da CRISPR para remover o cromossomo 21 extra responsável pela Síndrome de Down, permitindo que as células funcionem normalmente.
O que é a edição genética e como funciona?
A CRISPR-Cas9 é uma técnica que permite cortar e substituir material genético com alto grau de precisão, de forma relativamente simples e fácil. No entanto, seu uso em seres humanos é uma questão complexa e difícil.
A questão do "aborto da pessoa"
Com a possibilidade de eliminar geneticamente a Síndrome de Down, surge uma questão ética crucial: o "aborto da pessoa". Se um casal pode editar geneticamente um embrião com trissomia do cromossomo 21, permitindo que o bebê nasça saudável, isso significa que o bebê que nasceu é o mesmo que foi concebido? Ou um novo indivíduo substituiu o anterior?
A continuidade psicológica e física
Para o filósofo Derek Parfit, a continuidade psicológica é o que garante que somos a mesma pessoa ao longo do tempo. No entanto, se a edição genética altera a organização física do corpo, é possível que a pessoa resultante seja diferente.
Eugenia e a morte do indivíduo
A edição genética de fetos com Síndrome de Down pode ser interpretada não como o aborto da vida, mas como o aborto eugênico da pessoa. Independentemente de a edição genética não implicar na morte do corpo, implica possivelmente na morte do indivíduo.
Dados científicos e implicações éticas
A taxa de abortos de bebês com Síndrome de Down está entre 55% a 90% em países europeus, e cerca de 67% nos Estados Unidos.
A edição genética de fetos com trissomia 21 é uma alternativa ao aborto provocado, mas ainda constitui uma forma de eliminação – senão da vida biológica, da pessoa em potencial.
Conclusão
A edição genética da Síndrome de Down levanta questões controversas sobre eugenia e ética. É importante refletir sobre as implicações éticas dessa tecnologia e considerar as possíveis consequências para a sociedade e para os indivíduos. Além disso, é fundamental lembrar que a Síndrome de Down não é uma doença, mas uma condição inerente à pessoa, e que não há cura ou tratamento.
Esta iniciativa e realização é do especialista em Saúde Mental, Rafael Haddad.
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