O hormônio que une casais também é chave para ter bons amigos?
Fonte: g1 > Saúde – Publicado em 20/08/2025
O Hormônio que Une Casais também é Chave para Ter Bons Amigos?
Um estudo recente da Universidade da Califórnia em Berkeley sugere que a ocitocina, popularmente conhecida como "hormônio do amor", desempenha um papel fundamental na formação de amizades. A ocitocina é liberada durante relações sexuais, parto, amamentação e interações sociais, e é associada a sentimentos de apego, proximidade e confiança.
O que é a Ocitocina?
A ocitocina é um hormônio que é liberado em diversas situações, incluindo relações sexuais, parto, amamentação e interações sociais. Ela é conhecida por promover sentimentos de apego, proximidade e confiança, e é frequentemente chamada de "hormônio do amor". No entanto, ela também pode estar ligada a comportamentos agressivos.
O Estudo com Ratos
Para investigar o papel da ocitocina nas amizades, os pesquisadores estudaram o rato-do-campo (prairie vole), uma espécie que forma relações estáveis e seletivas, assim como os humanos. Os resultados mostraram que os animais geneticamente modificados para não ter receptores de ocitocina levavam mais tempo para criar vínculos com outros ratos e perdiam rapidamente esses vínculos quando colocados em novos grupos.
Diferença entre Amizade e Acasalamento
O estudo também mostrou que o efeito da ocitocina não foi igual em todos os tipos de relação. Mesmo sem receptores de ocitocina, os ratos continuavam dispostos a buscar seus parceiros reprodutivos, mas não mostravam o mesmo empenho com amigos. Isso sugere que a ocitocina é mais importante na seletividade das interações sociais do que na sociabilidade geral.
Implicações para a Saúde Mental
Embora o estudo tenha sido feito com roedores, os pesquisadores afirmam que ele pode ajudar a entender distúrbios psiquiátricos, como autismo e esquizofrenia, que afetam a capacidade de criar ou manter laços sociais. No caso do autismo, existem diferenças na forma como a ocitocina atua no cérebro, o que poderia contribuir para dificuldades de leitura de sinais sociais, reconhecimento de expressões faciais e construção de vínculos próximos.
Conclusão
A ocitocina parece desempenhar um papel fundamental na formação de amizades, e sua ausência pode afetar a capacidade de criar e manter laços sociais. Os resultados do estudo sugerem que a ocitocina pode ser um alvo importante para o desenvolvimento de tratamentos para distúrbios psiquiátricos que afetam a capacidade de criar ou manter laços sociais. Além disso, a tendência de formar vínculos seletivos pode ser um traço antigo na evolução de alguns mamíferos e talvez tenha precedido a monogamia em certas espécies.
Esta iniciativa e realização é do especialista em Saúde Mental, Rafael Haddad.
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