Vírus da Covid-19 altera atividade cerebral a longo prazo após infecção, mostra estudo
Fonte: g1 > Saúde – Publicado em 20/08/2025
Vírus da Covid-19 Altera Atividade Cerebral a Longo Prazo após Infecção
Um estudo recente realizado no Instituto Pasteur, em Paris, revelou que o vírus SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19, pode alterar a atividade cerebral a longo prazo após a infecção. A pesquisa, liderada pelo pesquisador brasileiro Guilherme Dias de Melo, descobriu que o vírus pode permanecer ativo no tronco cerebral por até 80 dias após a infecção.
Alterações no Cérebro
A presença do vírus da Covid-19 no cérebro está associada a sinais de depressão, distúrbios de memória e ansiedade. O estudo identificou alterações em mecanismos cerebrais relacionados à dopamina, um neurotransmissor envolvido em doenças neurodegenerativas como o Mal de Parkinson. A infecção pode causar uma desregulação metabólica com mecanismos semelhantes aos observados em certas disfunções cerebrais crônicas.
Como o Vírus Atinge o Cérebro
Segundo o pesquisador, o SARS-CoV-2 entra pelas vias olfativas e atinge o sistema respiratório. "Na cavidade nasal, ele infecta neurônios olfatórios, que são responsáveis por detectar cheiros", diz Guilherme. Essa é a principal porta de entrada do vírus no cérebro.
Sintomas Persistentes
O estudo foi realizado com hamsters dourados, que se contaminam naturalmente pelo SARS-CoV-2 e possuem o mesmo receptor que os humanos. Uma das conclusões é que os sintomas persistiam por várias semanas após a infecção. "Fizemos um estudo de longo prazo, 10 semanas após o fim da fase aguda. E vimos que, durante todo esse tempo, os animais apresentavam sintomas, não os respiratórios clássicos da Covid-19, mas relacionados ao sistema nervoso central, como ansiedade e perda de memória. Mesmo após 80 dias, o vírus ainda estava presente."
Covid Longa
Segundo Guilherme, um dos objetivos da pesquisa foi identificar os mecanismos da Covid longa e demonstrar a existência de sintomas relacionados ao vírus, relatados por pacientes. Muitos deles já enfrentaram o ceticismo dos médicos e da família ao associá-los a uma contaminação pelo SARS-CoV-2. "Descrevemos, em um modelo completamente independente do humano, que a Covid longa existe."
Conclusão
O pesquisador brasileiro também alerta para a queda na taxa de vacinação, que pode levar ao aumento de casos com sintomas persistentes. "Mesmo que a circulação global esteja baixa, o vírus ainda está presente", lembra. "Não sabemos como essa doença continuará evoluindo." O estudo destaca a importância de continuar pesquisando os mecanismos da Covid longa e encontrar biomarcadores ou moléculas que possam ser considerados alvos terapêuticos.
Dados Científicos
O vírus SARS-CoV-2 pode permanecer ativo no tronco cerebral por até 80 dias após a infecção.
A presença do vírus da Covid-19 no cérebro está associada a sinais de depressão, distúrbios de memória e ansiedade.
O estudo identificou alterações em mecanismos cerebrais relacionados à dopamina, um neurotransmissor envolvido em doenças neurodegenerativas.
Implicações Éticas
A queda na taxa de vacinação pode levar ao aumento de casos com sintomas persistentes.
A Covid longa pode ter um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes, e é importante continuar pesquisando os mecanismos e encontrar tratamentos eficazes.
Esta iniciativa e realização é do especialista em Saúde Mental, Rafael Haddad.
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