'Voltei a ver a luz’: colombiana é a primeira no mundo a passar por cirurgia inédita para depressão crônica – 19/08/2025
'Voltei a ver a luz’: colombiana é a primeira no mundo a passar por cirurgia inédita para depressão crônica
Fonte: g1 > Saúde – Publicado em 19/08/2025
"Voltei a ver a luz": Colombiana é a primeira no mundo a passar por cirurgia inédita para depressão crônica
Uma mulher colombiana de 34 anos se tornou a primeira pessoa no mundo a passar por uma cirurgia de estimulação cerebral profunda com quatro eletrodos para reverter a depressão resistente. Lorena Rodríguez, administradora de empresas e mestre em marketing e gestão comercial, viveu mais de duas décadas com crises de ansiedade e episódios depressivos.
Uma longa jornada de tratamento
Lorena relata que os primeiros sinais de depressão surgiram ainda na adolescência. "Era como viver por obrigação, no piloto automático. Sentia tristeza, vazio e uma ansiedade que não passava. Mesmo em momentos que deveriam ser felizes, eu não conseguia estar presente." Ela tentou inúmeros tratamentos, incluindo o uso de antidepressivos, ansiolíticos e estabilizadores do humor, psicoterapias, meditação, medicina funcional e mudanças de país, mas nenhum deles trouxe um alívio duradouro.
A cirurgia inovadora
A cirurgia, realizada em abril em Bogotá, pelo neurocirurgião colombiano William Contreras, consistiu na implantação de quatro eletrodos no área subgenual do córtex cingulado (SCG25) e no braço anterior da cápsula interna. Essa abordagem multitarget, direcionada a múltiplos alvos, é a primeira vez que é feita para depressão resistente. O procedimento visa ajustar a atividade elétrica das áreas cerebrais ligadas ao humor e à motivação para aliviar os sintomas.
Como funciona a estimulação cerebral profunda (DBS)
A DBS envolve a implantação de eletrodos em áreas profundas do cérebro, que são ligados a um neuroestimulador, um pequeno aparelho colocado no tórax. Esse aparelho envia impulsos elétricos constantes para "regular" a atividade dos circuitos cerebrais. Estudos mostram que entre 40% e 60% dos pacientes apresentam melhora significativa dos sintomas, e de 20% a 30% chegam a uma remissão duradoura.
Recuperação e resultados
Lorena relatou que, no dia seguinte à cirurgia, sentiu como se tivesse tirado um peso do peito. Nos primeiros dias, ela sentiu dores de cabeça e cansaço, mas também percebeu mudanças. "É como voltar a ver a luz, como se a luz estivesse entrando por frestas que antes estavam fechadas." Aos quatro meses após a cirurgia, Lorena afirma que voltou a fazer planos sem medo e que tem espaço para viver, não só resistir.
Um marco para a medicina latino-americana
O caso de Lorena é considerado um marco para a medicina latino-americana, mostrando que há capacidade científica e tecnológica para oferecer tratamentos de ponta sem que o paciente precise ir para fora do continente. A cirurgia inovadora traz esperança para pessoas que sofrem de depressão resistente e pode ser um divisor de águas no tratamento de doenças mentais.
Esta iniciativa e realização é do especialista em Saúde Mental, Rafael Haddad.
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