'Voltei a ver a luz’: colombiana é a primeira no mundo a passar por cirurgia inédita para depressão crônica – 20/08/2025
'Voltei a ver a luz’: colombiana é a primeira no mundo a passar por cirurgia inédita para depressão crônica
Fonte: g1 > Saúde – Publicado em 20/08/2025
"Voltei a ver a luz": Colombiana é a primeira no mundo a passar por cirurgia inédita para depressão crônica
Uma mulher colombiana de 34 anos se tornou a primeira pessoa no mundo a passar por uma cirurgia de estimulação cerebral profunda com quatro eletrodos para reverter a depressão resistente. Lorena Rodríguez, administradora de empresas e mestre em marketing e gestão comercial, vivia com depressão e ansiedade desde a adolescência e havia tentado inúmeros tratamentos sem sucesso duradouro.
Uma longa jornada de sofrimento
Lorena relatou que os primeiros sinais de depressão surgiram ainda na adolescência, com sentimentos de tristeza, vazio e ansiedade que não passavam. Com o tempo, ela desenvolveu enxaquecas e dificuldade para executar tarefas simples. O diagnóstico foi de transtorno misto de ansiedade e depressão, resistente a terapias convencionais. Lorena fez uso de mais de cinco tipos de antidepressivos, ansiolíticos e estabilizadores do humor, além de psicoterapias, meditação e mudanças de país.
A cirurgia inovadora
A possibilidade de cirurgia surgiu por acaso, quando Lorena conheceu o trabalho do neurocirurgião colombiano William Contreras. A cirurgia consistiu na implantação de eletrodos no área subgenual do córtex cingulado (SCG25) e no braço anterior da cápsula interna, uma via que conecta áreas do pensamento racional a estruturas emocionais. A novidade no caso de Lorena foi a utilização de quatro eletrodos - dois por hemisfério - para atingir simultaneamente essas regiões.
Como funciona a estimulação cerebral profunda (DBS)
A DBS é um procedimento que consiste na implantação de eletrodos em áreas profundas do cérebro, ligados a um neuroestimulador que envia impulsos elétricos constantes para "regular" a atividade dos circuitos cerebrais. Os resultados variam, mas estudos mostram que entre 40% e 60% dos pacientes apresentam melhora significativa dos sintomas, e de 20% a 30% chegam a uma remissão duradoura.
Recuperação e primeiros resultados
Lorena foi operada no Hospital Internacional da Colômbia e, no dia seguinte à cirurgia, relatou sentir como se tivesse tirado um peso do peito. Nos primeiros dias, ela sentiu dores de cabeça e cansaço, mas também percebeu mudanças. "É como voltar a ver a luz, como se a luz estivesse entrando por frestas que antes estavam fechadas", afirma. Aos quatro meses após a cirurgia, Lorena relata pequenas, mas profundas mudanças: "Voltei a fazer planos sem medo. Ainda sou eu, mas agora tenho espaço para viver, não só resistir."
Um marco para a medicina latino-americana
O caso de Lorena é considerado um marco para a medicina latino-americana, mostrando que há capacidade científica e tecnológica para oferecer tratamentos de ponta sem que o paciente precise ir para fora do continente. A cirurgia inovadora traz esperança para pessoas que sofrem com depressão resistente e pode abrir caminho para novas abordagens terapêuticas.
Esta iniciativa e realização é do especialista em Saúde Mental, Rafael Haddad.
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